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Experimentalista

Um blog onde exponho publicamente as pipas de massa que já gastei, dividindo-as em "bem empregues" e "desgostos"

25
Mai16

Freddy Mercury: He Will Live Forever

Sarah

Vi os Queen na passada sexta-feira dia 20 no Rock in Rio. Isto levantou-me muitos mixed feelings: se por um lado os Queen são a minha banda favorita, se sei as músicas todas, se desde pequena cada canção mexe comigo da cabeça aos pés, o facto de ter o Adam Lambert na voz retira-me o prazer de os ouvir.....tanto que me recusei a comprar bilhete, uma espécie de birra de fã incondicional, ou de criança que não aceita que o pai se case com outra senhora. 

O dia de RiR começou comigo a levar o Querido a todos os cantos do festival, visto que era a primeira vez que ele lá ia. Fomos ver as barraquinhas todas, morremos de sede e calor pois estava uma tarde tórrida como este ano ainda não tinha estado, andámos na roda gigante e assistimos (comigo de lágrima no olho) a um pedido de casamento no palco da Rock Street! O Querido andava em modo japonês, a tirar foto a tudo o que mexia e eu a rir-me com a animação dele. 

Jantámos duas fatias de pizza feitas à pressão e que não sabiam a nada e fomos para o stand da empresa dele (daí vieram os bilhetes), para percebermos que tínhamos feito a noite a aperitivos e "cocretes" e assim poupávamos os 6,5€ por "cartão". O local era privilegiado: uma varanda relativamente grande sobre o palco, do lado esquerdo do mesmo. O som perdia-se um pouco quando estava vento mas assim que os Queen se prepararam para subir ao palco, até o vento se pôs no lugar e a noite estava maravilhosa, com uma tremenda lua cheia. Nunca tinha tido uma experiência destas, de ver a imensidão de gente que ali estava, na sua maioria, para os ver. 

Agora o meu drama pessoal: Nunca gostei do Adam Lambert. Reconheço-lhe o talento e a capacidade vocal, mas acho tudo muito too much. Nada, mas nada, se prende ao facto de ser gay e se pavonear em palco. O Freddy (que Deus o tenha, a beber champanhe com o Bowie) era gay e era o rei dos pavões. Apenas nunca fui com a cara dele! Como dizem os brasileiros "os nossos santos não batem" e quando soube que ele se tornara o vocalista dos Queen o meu coração partiu-se um bocadinho.....

Mas eles entram em palco e as duas primeiras músicas foram fracas. A voz perdia-se nos instrumentos mas ali estavam eles......Roger Taylor à bateria e Bryan May na guitarra. Caramba.....eles estavam ali! Aquilo era como ir a Roma e o Papa rezar para mim! A multidão estava delirante, em êxtase, e eu a fazer birra por causa do Lambert.

Depois há um momento de uma rara beleza: o Bryan May chega-se à frente da passadeira do palco, senta-se numa cadeira de pé alto e pega numa guitarra acústica. Tocam os primeiros acordes de Love of My Life e pede ao público para o acompanhar que o Freddy já não pode.....estávamos todos de telefone na mão, parecia o céu numa noite escura no meio do campo. E ele canta e nós acompanhamos e na última quadra, ouve-se a voz do Freddy e aí, quase jurámos que ele ia entrar no palco e por todo o lado se sussurava "ouviste!? Isto era o Freddy!"

O espectáculo continuava a todo o gás. Eles eram fumos, fogos de artifício, confettis, o Lambert a trocar de roupa quase a cada música e confesso, com o passar da actuação a voz ficou melhor, a postura também e em certo momento ele pede a palavra para dizer que não, não está ali para imitar nem se sobrepor a ninguém e que apenas agradece a imensa dádiva que lhe foi dada. E eu, a começar a desamarrar o burro. 

Mas o ponto alto da noite viria depois: Bohemian Rhapsody. Começa o Lambert e a certo momento, nos écrans gigantes, aparece o Freddy a cantar ao piano. Não aguentei. Nem eu nem quem lá estava pois a multidão ficou doida com um "simples" vídeo. Duas lagriminhas depois e apenas validei o que sempre disse: daria um ano de vida para ter estado em Wembley em 1986. Que voz, que capacidade artística, que perda irreparável. Fechei os olhos durante uns segundos e sim, foi como se ele estivesse ali. 

Seguiram-se umas exibições de May e Rogers e pouco depois o concerto acabava com o We are de Champions e os agradecimentos de toda a banda. Eu podia fazer um post longuíssimo para contar tudo o que eles fizeram em palco e eu senti naquela noite. Posso dizer que está sem dúvida no meu top 3 de concertos da minha vida, não estando em primeiro apenas por não ser o Freddy na voz....mas agora vejo que, se não fosse o Querido com aqueles bilhetes eu tinha perdido um espectáculo imperdível. Obrigada Querido e obrigada Queen por, um dia, terem existido. 

 

Deixo-vos aqui aquele que, para mim, devia ter sido o digno substituto de um artista insubstituível.

Long Live the Queen

 

Sarah

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