Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Experimentalista

Um blog onde exponho publicamente as pipas de massa que já gastei, dividindo-as em "bem empregues" e "desgostos"

11
Nov16

He´s our man

Sarah

Acordo. Na mesa de cabeçeira o telemóvel mostrava uma luzinha azul, sinal de notificação. Um amigo partilhara um vídeo do Cohen, mas porquê? Partiu, o nosso man partiu hoje.

O Cohen é o meu guilty pleasure do vinho tinto, dos vestidos pretos e justos, dos saltos altos que magoam os pés mas que fazem umas pernas lindas, dos livros que não lemos em público, da troca de olhares que não devia ter acontecido.O Cohen é um escritor que nunca quis ser cantor mas que tem uma voz que fecunda qualquer ouvido, principalmente os de uma mulher. O Cohen canta-nos ao pescoço, respiração ritmada, e faz amor com quem o ouve, seja homem ou mulher, cristão, judeu, budista, cientologista ou apenas adorador do sagrado tom da sua voz. A sua Marianne partiu à escassos 3 meses e nós, comuns mortais, não podíamos pedir que ele ficasse por cá muito mais tempo por não?

E é isto que eu adoro, acima de tudo, no Cohen: é literário, romancista, fala o que pode ser cantado. Escreve e canta como se fosse infeliz e, quem não gosta de um cantor infeliz, alguém que canta para aquilo que somos naquele momento? Ele nunca conseguiu o amor e uma cabana com a Marianne mas que homem não gostaria de ser lembrado, pela mulher que ama e sempre amou, como "senti-me atravessada por um feixe de luz?", ao ouvi-la falar do primeiro encontro?

Este ano está a arruinar a minha lista de cantautores mas em contrapartida, a prateleira dos vinis vai ficando composta. Sim, o Cohen merece os vinis. So long Mr. Cohen. Este ano o Divino vai ter um jantar de Natal invejável.

Dance me to the end of love....este misto de Piaf e Cohen

 

sarah