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Experimentalista

Um blog onde exponho publicamente as pipas de massa que já gastei, dividindo-as em "bem empregues" e "desgostos"

19
Jul16

"Nós somos uma equipa e nada disto faria sentido se assim não fosse"

Sarah

Foi com esta frase que o Querido me presenteou no noss último jantar (o da Lasanha de Vegetais) quando eu dizia que ele está a ficar muito mal habituado na casa da mãe, sempre em tom de brincadeira. Talvez outra mulher não ficasse tão tocada com esta frase, ou não lhe desse tamanha relevância mas eu dei, por vários factores que não contam para aqui mas acima de tudo por uma razão: eu não estou habituada a isto. 

Estive solteira 3 anos até encontrar o Querido. A última relação tinha corrido mal, demasiado mal, e quando acabou eu senti que quase ia acabando eu. Como gata escaldada de água fria tem medo, ao meu feitio independente e "em mim ninguém manda" ainda juntei um afixo -homem nenhum. Porque homem nenhum me diz o que fazer, onde ir, o que vestir, o que comer ou não comer, com quem devo ou não falar, de quem devo ou não ser amiga. Porque eu não preciso de homem nenhum para me sentir bem, bonita, sexy, sensualona, resolvida. Porque homem nenhum me volta a deixar na merda outra vez.

Ora como podem calcular quando o Querido apareceu o trabalho de "mineiro" de picareta em punho começou. Primeiro provar-me que não queria só dar uma voltas (que queríamos os dois mas não dessa forma). Depois, ele tinha que ter a coragem para dizer coisas como "estás muito bonita", "gosto muito de conversar contigo", "quero marcar mais saídas contigo" e, por fim, aquela frase que corta os tintins a qualquer homem quando dita ao desbarato "tenho saudades tuas". 

E eu, calhau crónico, sempre a dar para trás até se ter tornado inegável que o tipo gostava mesmo de mim, só gostando um homem houve aquelas minhas respostas e se mantêm firme e hirto! Com o tempo e dando-lhe espaço de acção, comecei a perceber que ele pertence aquela colheita de machos que já está para os homens como o Barca Velha está para os tintos: Não é qualquer um que merece ser "engarrafado", muito menos, bebido. 

Ele, passado um ano "disto" ainda me abre a porta do carro ou do centro comercial para eu entrar primeiro. Ainda me pergunta sempre a mim primeiro o que quero comer e beber e (como a minha escolha é sempre boa *cof cof*) muitas vezes escolhe o mesmo que eu. Faz questão de andar de mão dada comigo e se eu usar uns saltos altos escandalosos propícios ao suicídio e que me deixem do tamanho dele ou quase quase maior, ele ainda inflama mais o peito. Pergunta-me muitas vezes se estou bem, se estou feliz, se me faz feliz. 

E antes que vós senhoras me tentem ficar com o naco eu digo que ele também tem defeitos, que também nos chateamos, que nem tudo é imaculado e limpo a sonasol. Nem eu nunca quis para mim esse tipo de relação. Apenas fazemos aquilo que, a meu ver, 90% dos casais deixa fazer ali a meio da ralação: nós falamos. Nós falamos de tudo, mesmo dos assuntos mais desconfortáveis, mesmo que a conversa não apeteça naquele momento, nós falamos. 

Portanto quanto agora por todo o lado vejo o movimento "I ain´t your mama" eu pergunto se não estamos a entrar no polo oposto da realidade da mulher portuguesa até aqui. Serei eu menos mulher ou menos independente se, ao fazer uma máquina com a minha roupa, juntar a dele? Ou se ao cozinhar para mim, o deixar deliciar-se comigo? Ele arruma (chega a ser mais arrumado que eu), ele limpa, ele ajuda verdadeiramente. Se gostamos do nosso cavalheiro, não estarão eles também no direito, de ter uma lady do lado deles? 

Proponho um movimento "team mates". Um movimento que ponha homens de avental e mulheres de mini no sofá. Um movimento do "eu cozinho e tu lavas a loiça". Um movimento que promove a verdadeira equipa. Eu não quero um marido, eu quero um sócio para a vida. E acho que encontrei o meu. 

 

 

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