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Experimentalista

Um blog onde exponho publicamente as pipas de massa que já gastei, dividindo-as em "bem empregues" e "desgostos"

14
Mai17

Pequeno Drácula do meu coração!

Sarah

Não me levem a mal, eu adoro o miúdo, mas senti que o podia apelidar de pequeno Drácula: As vestes negras, o ar esbranquiçado de quem não é de praias e os maneirismos com as mão, tornaram o Salvador no meu pequeno Drácula.

Confesso que a ccanção que nos deu a vitória no Festival da Canção não me ganhou à primeira. Muito por culpa minha, que não a ouvi com "olhos de ver" mas, caramba, assim que ela tomou conta dos meus ouvidos...foi arrebatadora!

Há uns tempos comentei noutro blog que, se fosse no Brasil, era bossa nova, era Chico ou Caetano, era sambinha lento, era a merecedora herdeira do "Sozinho". E eis que surge um vídeo do Caetano himself, a dizer que adora o Salvador e que a vitória devia ser dele. Têm noção, do que é ter O Cateano Veloso, o ícone da MPB a dizer que a mal amada música do nosso miúdo estranho devia ganhar um festival por ser simplesmente maravilhosa? 

Ele foi mal Amado, o Salvador, tal como qualquer português que que sai da norma, que destoa da Maria Leal. Para mim, o mais gritando exemplo ou comparação de como nós, os portugueses, não aprendemos com os erros, é o caso do António Variações, de quem serei eternamente uma fã. No seu tempo, num Portugalinho pequenino mas ávido consumidor do que vem de fora, o Variações era um gajo estranho com uma barba medonha. Pior, era um maricas. Claro que, como qualquer português brilhante que nunca foi reconhecido, depois de morto tornou-se um ícone nacional. Ainda bem que isto não aconteceu com o Salvador.

Ontem acompanhei o festival da Eurovisão como acompanhei a final do Euro 2016: sofri em frente ao sofá, "pedi" a Nossa Senhora o seu televoto e saltei como se fosse golo quando o vi vitorioso. E, se gosto dele como artista, ainda o aprecio mais enquanto pessoa: um artista de carne osso, feito de sonhos e paixões assolapadas pelas folhas das árvores, ou uma mulher bonita. O Salvador é feito daquilo que os verdadeiros artistas são: sonhos e um imenso amor, dependência até, daquilo que todos os dias o mantêm vivo, a sua arte. 

Acho que nesta fase não me adiante de muito tecer aqui grandes teses e dissertações sobre a obra, o desempenho e o reconhecimento dados ao Salvador, à sua irmã Luísa e a toda a equipa que os colocou onde mereceram estar. Mas, como amante da Disney que sou não consigo deixar de o associar a esse mundo: a voz e a interpretação aliadas a uma letras que, de cada vez que ouço cantada, me trás as lágrimas aos olhos, me fazem imaginá-lo sentado à beira de um lago, mirando ao longe a sua princesa guardada numa torre por dois dragões. Deixo-vos por isso uma animação lindíssima do universo Disney musicada com a "Amar pelos Dois". 

Este vídeo foi composto por um não-português, tal como a vitória nos foi dada por não portugueses. Sim porque, dependendo dos de casa, o Salvador nem teria ido a concurso em Portugal.

Sonhem um bocadinho, bebam um chá quente e enrolem-se numa manta. É o que esta música merece.

Sarah

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