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Experimentalista

Um blog onde exponho publicamente as pipas de massa que já gastei, dividindo-as em "bem empregues" e "desgostos"

26
Set16

Se um doutor ou um banqueiro se assumir, é homossexual. Mas se for um pedreiro, é paneleiro.

Sarah

Acabo de ler esta frase, já no fim de uma reportagem que saiu hoje no Observador. O artigo, do ponto de vista jornalístico está muito bom, a informação está lá toda, contudo, se não fosse o António Serzedelo não teria acontecido. Simplesmente pelo facto de, como se fala em todo o artigo, ser velho e ter relações sexuais já é visto como pecado moral, nojeira, então se falarmos de um casal homossexual, já entramos na aberração, ou como ele diz "bichas tontas".

Incomoda-me muito o mau trato à diferença alheia. Muito mesmo. Confesso que o meu sentido de humor me permite fazer piada com tudo, principalmente, de mim da minha vida mas nunca, nunca, seria capaz de maltratar alguém por causa da sua orientação sexual. Vivemos num país ainda recheado de culpa judaico-cristã. Vimos acima de tudo num país cheio de culpa: somos culpadas se os nossos filhos não gostarem de nós; somos culpadas se os nossos maridos (ou mulheres) nos traírem; somos culpadas se o chefe nos assediou; somos culpadas e culpados por gostarmos de quem a sociedade não acha ser a "pessoa certa".

A velhice está na sociedade moderna sujeita ao mesmo abandono e repúdio como a lepra do século XVII estava para a sociedade da época. E o pior? São os velhos da cidade, rodeados por milhares de pessoas, que mais morrem sozinhos. Independentemente das suas escolhas de vida e das atitudes e posturas que se decidiu a tomar, ninguém merece morrer sozinho. Nem os animais, quanto mais uma pessoa. 

Um filme que me tocou imenso nesta temática e que, para mim, tem uma estética irrepreensível é o Single Man do Tom Ford.Se puderem e quiserem vejam. Ajuda a entender algumas coisas.

 

 

Sarah