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Experimentalista

Um guia, uma ideia, uma sugestão, ou apenas um sítio onde vir dar um passeio

Experimentalista

Um guia, uma ideia, uma sugestão, ou apenas um sítio onde vir dar um passeio

Seg | 12.09.16

Sobre aquilo que se passa no serão da TVI....

Sarah

É assustadora a quantidade de posts que vi hoje aqui no SAPO sobre o regresso das Casa dos Segredos. Uns criticam, dedicam-lhes páginas inteiras de insultos. Outros, dizem que aquilo é o novo ópio do povo, o novo fado-futebol-fátima.

 

Da minha parte, prefiro reagir da mesma forma que reajo à celulite durante o inverno:

FAZER DE CONTA QUE NÃO EXISTE!

sarah

Seg | 12.09.16

Que orgulho neste rapaz!

Sarah

A maioria de nós, espectadores portugueses, conheceu-o a fazer sketches de comédia no Herman SIC. Já nessa altura o tipo era bom, mas agora? Agora é o melhor actor de da secção Horizontes do festival de Veneza. 

Poderoso não? Para a maioria dos portugueses, o nosso cinema não vale um chavo. É chato, muito "Manuel de Oliveira", coisa para entreter mortos. Contudo, para quem da o corpo ao manifesto pela arte de ser artista em Portugal, tiro-lhes todos os dias o chapéu.

Trabalhamos por projecto e enquanto há trabalho. Vivemos dependentes do passa-a-palavra e do "pode ser que até ao fim do ano haja financiamento". É desesperante. Os nossos pais não entendem que vivamos a recibos verdes. E nós também não.

O público português começa a ir às salas para ver o que por cá se faz mas, ainda assim, tudo muito a custo, muito puxado para a comédia e nunca para um filme destes. A história de um boxeur do bairro social que se vê como muitos de nós: sem trabalho, sem dinheiro, no desespero total de ter que levar comida para a mesa e não ter como. 

E o Nuno Lopes.....um actor brilhante. Não se manteve à sombra da bananeira e frequentou a Master Class da École des Maîtres estudando com mestres como Robert Castle, Susan Batson, Tom Brangle e Wass M. Stevens. Esteve em palco com textos  Bertold Brecht, William Shakespeare, August Strindberg, Heiner Muller, Georges Perec, Beaumarchais, Ferenec Molnár e Pierre Corneille. E no sábado, a academia de Veneza tirou-lhe todos os chapéus e deu-lhe o galardão de melhor actor.

Os meus imensos Parabéns Nuno Lopes!

 

Sarah

Qua | 07.09.16

"Ele mexeu-te com o clítoris do cérebro"

Sarah

Em conversa com uma amiga, ela desabafava em ânsias e suspiros sobre a sua mais recente paixoneta. Dizia-me que ele era um bandido, um vagabundo, de uma raça ignóbil, um safadão. Que lhe disse de caras, quando se conheceram, que a prioridade dele era (cito) "comer gajas! mas comer umas atrás das outras! um rodízio de pipi!". E ela, como qualquer mulher do contra, entrou automaticamente em modo "ai é!? ai é!? então já vais ver!"

Ao fim de dois dias já falavam de manhã à noite, já havia debates acérrimos, os gostos afinal eram os mesmos e, enquanto me contava a história, ela sai-se com esta:

Ele lê Sarah! Ele lê!

 

Para muitas pessoas isto poderá soar redutor, contudo, o binómio lê e é giro/tesudo é uma equação cada vez mais difícil de compor. Perante todas as alegações dela e a clara exposição do caso, restou-me apenas fazer o diagnóstico:

 

Ela está com uma clitorite cerebral

 

Explicando:

 

Há 3 tipos de homens com quem uma mulher se pode envolver

Os que mexem com o clítoris do nosso sítio especial: estes são aqueles que podem ser uns tesudões, machões, garanhões ou até mesmo parvalhões mas que só de olhar para eles , suamos frio. A vontade de dar uma dentada na maçã pecadora é muito grande mas sabemos à partida que de carnal não passará e, se a dentada se der, muito provavelmente nos sentiremos umas parvalhona no após.

Os que mexem com o clítoris da cabeça: sim senhoras e senhores, as mulheres têm um clítoris na cabeça. O único problema é que em algumas, o dito cujo reage ao mau trato, à cabronice, ao mind fucking. Noutras, ele reage à conversa inteligente, ao sarcasmo, ao sentido de humor, ao intelecto puro e duro. O tipo até pode ser fisicamente desinteressante que nós, embebidas numa aura cultural, só pensamos como será fazer amor contra uma estante com toda a colecção de Wilde. 

Os que mexem com os dois: estes sim, acabam com uma rapariga. Não só as perninhas vacilam ao toque como de cada vez que ele diz "do ponto de vista estrutural, é um livro maravilhosamente complexo" temos um orgasminho neural, e ficamos rosadinhas. 

 

Agora, o cerne da questão:

Uma mulher inteligente e sensata (coisa que a minha amiga não é) afastar-se-ia pois saberia de antemão que o tipo ia patinar na curva mas quem se espetava era ela. 

E o que é que a minha amiga faz? Espera 13h por uma resposta à mensagem dela.......

 

 

 Sarah

Qua | 07.09.16

A Sarah Ensina: A Comprar peixe

Sarah

Ora pois, tal como prometido, vou começar a minha série de posts sobre os conhecimentos "borralheiros" que possuo, com o simples intuito de dar informação pura e duro sobre como sobreviver a uma vida na selva urbana. Sei perfeitamente que não posso escrever aqui autênticas bíblias da fada do lado mas tentarei abordar o máximo de informação no menor espaço de texto/tédio.

O primeiro post será sobre peixe. 

As asneiras que já fiz, o peixe retardado que já comprei, os balúrdios que paguei, os ralhetes com que fui rezada pela minha mãe. A verdade é que apesar de termos 800km de costa e o Oceano Atlântico ali ao lado, ainda pagamos somas astronómicas por peixe fresco, sendo que o bruto do valor é dado ao vendedor e suportado pelo consumidor, enquanto o pescador chega a receber, por exemplo, 33 cêntimos por quilo de sardinha, dependendo da hora a que o seu barco chega à lota.

Posto isto, a compra de peixe tem que ser bem feita e em consciência para não acabarmos a mandar dinheiro para a rua e a comer mal. Da minha parte, tento fazer uma refeição diária de peixe, normalmente o jantar, e agora no verão é quando ele me sabe melhor. O peixe tem 3 grandes factores a ter em conta na hora da compra:

Frescura:

Sabemos que o peixe está fresco quando estas 3 coisas estão presentes:

Olhos vivos: O peixe tem que "olhar" para nós. Os olhos devem estar cristalinos e vidrados, e nunca, mas nunca baços! Por vezes, podem estar vermelhos. Isto não tem que ser mau pois pode ser resultado de estarem há algum tempo no gelo ou pode ser característico do próprio peixe, como é o caso das sardinhas e dos carapaus. 

Guelras vermelhas: Peçam sempre para ver as guelras. É um direito vosso enquanto consumidores e se o/a peixeira não o quiser fazer então talvez devam ir a outro sítio. A guelra tem que ter uma tonalidade vermelho vivo e escuro, quase como o sangue fresco. Se estiver rosada ou esbranquiçada ou já mesmo castanha, fujam desse peixe!

Viscosidade: O peixe fresco é viscoso. É uma reacção dos "corpos mortos recentemente" (isto soa mal não soa?). Quando a peixeira mexer no peixe e ele deixar um rasto de viscosidade (quase como os polvos) é porque é um peixe verdadeiramente fresco, ainda a "cheirar a mar". Outro factor, já este mais difícil de identificar, é se o peixe tem a carne firme. Isto é sinal de que o peixe não foi amassado durante a captura e, mais uma vez, está fresco, Se puderem peçam para passar a ponta do indicador no lombo do peixe. 

 

Origem:

Façam sempre por saber a origem do que compro. Quer vão a um mercado com bancas de peixe ou a um supermercado, o peixe tem que estar obrigatoriamente identificado. Isto é a lei. Hoje já começa a ser mais difícil conseguir peixe 100% de mar e selvagem, muito por causa das necessidades de consumo que obrigam à criação de aquacultura, mas em muitos casos, especialmente nós em Portugal, ainda conseguimos ter peixe de mar. Um exemplo claro de um peixe que tem que ser do Atlântico é a pescada: a pescada precisa de frio, muito frio. Uma pescada de Marrocos (substancialmente mais barata) nunca será tão saborosa como uma pescada do Atlântico que, para ser de qualidade, deve ser pescada a anzol e não de arrastão. É um peixe frágil, de pele e escama delicados, então o anzol é uma garantia de que não estará moída. Também deve ser "branca". Deixo-vos uma foto para exemplo.

 Já o salmão dava pano para mangas......o salmão tornou-se o peixe da polémica. Foi durante anos publicitado como o supra sumo da saúde com barbatana para virmos a descobrir que é criado em "berçários de aquacultura", muitas vezes, em condições muito precárias. Deixo-vos este link para tirarem as vossas conclusões. Mas para servir de cábula, a maioria dos peixes que consumimos em Portugal beneficiam das águas frias, como a sardinha, carapau, robalo e dourada. 

 

O preço:

O melhor de comprar num mercado é que temos mais escolha. É verdade que os supermercados fazem preços muito competitivos por causa da margem que conseguem ter, mas eu continuo a preferir ir aos mercados. Lá, temos acesso a peixes que muitas vezes não se encontram noutros locais, muitas vezes, por ter sido uma pescaria do dia. Normalmente é apenas nos mercados que encontro cação para fazer sopa ou besugos e fanecas para fritar e servir com arroz de tomate. Normalmente não encontramos estes peixes nos supermercados porque são muitos frágeis e têm mesmo que ser vendidos no dia, não suportando um congelador e a espera por clientes no dia seguinte. Além disso, no mercado vocês podem ir à procura do melhor preço, andando entre as várias bancas. A diferença muitas vezes é de 3/4€ kilo o que na carteira deixa um grande espaço para mais compras. Além disso se vocês forem ás compras já mais perto da hora de almoço conseguem o peixe uns 3€ mais baratos em relação a essa manhã. Lembrem-se, quem manda nas vossas carteiras são vocês e não os comerciantes. 

 

Por último: A conservação

Eu congelo peixe. Nem sempre posso ir ás compras em tempo útil e prefiro congela-lo eu ao invés de comprar já congelado. A receita é: nunca congelar nada sem vermos o estado em que está. Quando as peixeiras/os arranjam o peixe, não têm tempo nem paciência para estar a tirar todo e cada bocadinho de sangue ou vísceras nem todas as escamas e isto vai pôr em causa a qualidade do peixe quando o descongelarem. Além disso, o peixe deve ser sempre seco com papel absorvente para não ficar com excesso de água, que vai congelar e retirar sabor do peixe. E eu no máximo deixo o peixe congelar durante 15 dias pois também não o quero deixar "queimado" pelo frio. 

Se for peixe para consumo no dia, antes de o salgarem passem sempre com uma toalha de papel para retirar o excesso de água tornando assim a salga mais fácil. E tentem coloca-lo no recipiente que lhe permita escorrer algum do líquido (uma tampa no fundo do tupperware ou prato é o suficiente). Assim o peixe não vai ficar ardido pelo sal até à hora de ser cozinhado.

 

Em extra: Peixes Especiais

Sargos, Fanecas e Cachuchos

Estes peixes são super sensíveis e mesmo frescos podem ter cheiro a fénico (nem sei se a palavra existe mas sempre a ouvi e serve para descrever o cheiro a peixe estragado).

Normalmente estes peixes, para além dos cuidados já acima referidos, devem ser comidos no dia, sem ir ao congelador. Se a barriga já tiver um cheiro forte ainda na banca não comprem pois apesar de terem sempre cheiro, não deve ser perceptível longe.

Sargo

 Sargo

 

 Faneca

 

 Cachuchos

 

E é isto pessoal, temos o primeiro post feito! Se tiverem dúvidas, se acharem que não escrevi tudo o que devia ou se quiserem ter informações sobre um peixe em específico perguntem.Tentarei sempre responder :) E lembrem-se: compensa SEMPRE escolher e comer FRESCO.

Boas pescarias

 

 

*todas as fotos foram tiradas da internet, não tendo eu qualquer direito sobre elas

 

Sarah

 

 

Ter | 06.09.16

Recolha de opiniões: A Sarah Ensina

Sarah

Ando há uns dias com uma ideia aqui para o blog: pôr em prática a partilha de conhecimentos que me acompanham desde os 16 anos, idade em que comecei a ir eu as compras para a casa. 

Tenho assim, 13 anos de experiência em lides domésticas, que ultrapassam as "singelas" compras para a casa e passam também no departamento limpezas, cuidados de cortinados e alcatifas, limpeza de alumínios e fornos. 

Para quem já me imagina uma Gata Borralheira dos tempos modernos, you bet I am! De início, era com a maior contrariedade que o fazia. Normal,  eu queria era ser bicho do mato e não carregar compras nos transportes públicos a um sábado de manhã mas, como muitas das coisas que fazemos contrariados, tornei-me boa nisto. E eu não sou boa a dizer que sou boa em alguma coisa. 

Fui criada por uma governanta de hotel (mãe) que desde os 14 anos veio trabalhar para Lisboa. Ainda que muitas vezes lhe tenha respondido torto, nunca mais me esqueci de uma frase que ela repetia sempre:

 

Para saberes mandar, tens que saber fazer!

 

E se esta não é uma das coisas mais sábias que ela me passou, então não sei o que será! Hoje, sei como quero os meus lençóis passados e como a minha cama tem que ser feita. Sei como se limpam paredes e móveis pintados a casca de ovo. Se escolher peixe e carne e ver quando o alho francês está grelado ou a couve flor velha. 

A questão é: será que vale a pena eu fazer estes posts aqui? Será que vale a pena eu detalhar tudo o que sei numa série de posts, para partilha de conhecimentos com o mundo?

 

Deixem as vossas opiniões e desde já obrigada :)

 

Sarah

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