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Experimentalista

Um guia, uma ideia, uma sugestão, ou apenas um sítio onde vir dar um passeio

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Ter | 21.03.17

A Bela e o Monstro: Uma review nada isenta

Sarah

Fui criada pela Disney. As cassetes em VHS entravam e saíam do vídeo e, reza a lenda, que aos 3 anos já as sabia rebobinar. Tinha um imenso amor ás minhas cassetes da Disney e ás minhas princesas (que a minha mãe coleccionou e que eu recuso dar). Tinha 4 anos quando saiu a Bela e o Monstro e lembro-me de o ver no cinema, ainda com um daqueles banquinhos para conseguir ver o ecrã. Fiquei imediatamente rendida! As cores, a luz do filme, a beleza da Bella e os olhos azuis do monstro. Até a minha mãe saiu do cinema a sentir-se feliz. 

Posto isto, imaginam a expectativa perante a estreia do filme com os personagens de carne e osso?! Na sexta           feira quando o fui ver com uma amiga, também ela fanática do filme, as expectativas estavam ao rubro, podia ser algo maravilhoso ou podia "acabar" com a minha miúda de 4 anos.

Sinopse

"A Bela e o Monstro" relata a fantástica viagem de Belle, uma rapariga inteligente e muito bonita, que é feita prisioneira num castelo por um hediondo monstro. Mas apesar da sua precária situação, Belle faz amizade com todo os encantados ajudantes do castelo – um bule de chá, um candelabro, um relógio de sala, entre outros – e acaba por aperceber-se que por baixo do exterior monstruoso do seu captor, existe o coração e a alma de um verdadeiro príncipe.

 

Este filme está diferente da animação e eu não vejo isso como sendo necessariamente mau. Na sala, poucas eram as crianças e muitas delas acho que foram por causa dos pais. Era a geração Disney em peso, adultos que cresceram como eu. Neste A Bela e o Monstro recebemos enquadramento: o porquê da Bela ser órfã, o porquê do Monstro ter sido um príncipe mau. Percebemos porquê que todos os criados do castelo ficaram com ele e sim, somos postos perante a recente polémica do Le Fou ser gay e apaixonado pelo Gaston. 

Ponto número um: o Luke Evans (Gaston) e o Josh Gad (Le Fou) estão MA-RA-VI-LHO-SOS! O Gaston insuportável, narcisista, auto-centrado e rufia foi espantosamente tornado gente pelo Luke Evans, um actor que tenho vindo a admirar cada vez mais e mais, principalmente, depois do "Animais Nocturnos". 

Ponto número dois: As cores senhores, as cores! Os filmes da Disney sempre foram pautados pela riqueza da cor, dos cenários, a beleza do céu, muito azul, a fruta, muito vermelha, a relva, muito verde. Tudo isto foi maravilhosamente captado pela lente de Bill Condon. 

Ponto número 3: O Monstro. Confesso que ao ver o trailer me senti um pouco desiludida. Para mim o monstro seria um ser imenso, de feições exageradas, monstruosas e este, achei-o muito maneirinho, um Minotauro talvez. Contudo, ao longo do filme vemos a sua evolução e começamos a gostar do monstro e dos seus (do Dan Stevens) maravilhosos olhos azuis. Este monstro tem profundidade de carácter e de espírito. É culto, intelectual e tem sentimentos. Vive em tormento o seu castigo e nós, acabamos a vivê-lo com ele. A cena da sua transformação está bem conseguida, se bem que o rapaz precisava de mais, muito mais cabelo! 

Ponto número 4: Os criados. O Cogsworth e o Lumiére estão lindíssimos mas a senhora Potts e o Chip não. O chip então sempre foi aquela chavenazinha deliciosa, amorosa, um menino de loiça e aqui está estranho. À senhora Potts faltam-lhe os olhos: A Disney criou o conceito de "olhos e cabelos": fora a animé Japonesa, apenas a Disney deu um imenso foco nos olhos dos seus personagens e aqui, esse factor a meu ver importantíssimo, perdeu-se. Contudo, de ressalvar a Sr. Armário e o Maestro Cadenza: Magnifique ma chére! Ah *spoiler* preparem os corações para a cena em que o monstro morre e todos os criados se transformam em peças inanimadas. Chorei como uma madalena a partir daqui e até ao fim do filme!! 

Ponto número 5: A Bela. Epah....a Emma....certo....é porreira, culta, feminista, isso tudo, mas não é a Bela. A Bela foi e sempre será a minha princesa: morena, olhos castanhos, croma dos livros e respondona. A Emma não foi nada disto. Estive o filme todo à espera do wingardium levio-sa e não de uma princesa. Demasiados maneirismos, carinhas e olhinhos. Faltou-lhe a beleza da Bela que, a meu ver, teria sido muito mais bem representada por uma versão mais nova da Rachel Weiss. A Bela não me conquistou, vejo como um erro de casting, mas não digo que não é boa actriz ou um falhanço. 

Ponto número 6: No seu todo, fui feliz, fui muito muito feliz. Na sala, as pessoas cantavam, choravam e no fim bateram palmas! Os cenários eram luxuriantes, a história tem os seus twists mas todos foram válidos e adicionaram valor e eu, eu tive 4 anos. Não tive uma infância espectacular ou muito feliz mas, a Disney, é para mim a memória mais terna, das que guardo com maior carinho. Talvez por isto muitas pessoas não entendam que aos 30 anos eu queira ir a Disney correr atrás das princesas e tirar selfies com elas! E a Bela não é uma vítima da síndrome de Estocolmo: a Bela é a prova de que toda a gente tem as suas lutas, as suas mágoas, os seus Monstros interiores ou exteriores e, se lhes dermos tempo, eles até nos podem mostrar o melhor de si. As aparências não são tudo e o amor por uma fera é disso prova.

Vejam, sendo ou não fãs da Disney, independentemente das críticas atrozes que possam ter lido.

 

Sarah