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Experimentalista

Um guia, uma ideia, uma sugestão, ou apenas um sítio onde vir dar um passeio

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Qua | 15.02.17

O 1º Valentim: A noite

Sarah

Chego a casa e já ele estava de banho tomado, vou-me despachar. Espremida dentro de um vestidinho preto e saltos altos e ele de fato, chamámos um UBER (experiência da qual falarei noutro post) e lá vão eles jantar. E onde, perguntam vocês? 

Ao Abraço, do Miguel Gameiro, restaurante de que já tinha aqui falado. 

 

Chegámos e a sala tinha uma decoração simples mas acolhedora, com as mesas postas para os casais, salvo uma ou outra mesa que tinha sido reservada para grupos de amigos que decidiram partilhar a noite. Já sabíamos que o Miguel ia tocar, era a sua promessa de S. Valentim mas nunca pensámos que ficaríamos na mesa ao lado da banda. Quem diz ao lado é "se eu me levantar muito rápid caio em cima do microfone do Miguel!"

O jantar começa a ser servido. O ambiente é bom, caloroso, e sem as mariquices do S. Valentim, vulgo, balões com a forma de coração e outros. Devemos ser o casal mais jovem da sala mas somos sem dúvida o mais divertido. A sala estava composta, pensamos nós, na sua maioria por amigos do Miguel e do seu sócio Paulo então nós éramos os jovens outsiders e, por isso, os que mais se estavam marimbando para as aparências. 

Para entrada, duas Manteigas, uma aromatizada com salsa e uma com enchidos (DI-VI-NA!) acompanhada com pão feito na casa, com crosta de sal. O jantar ia ser dividido em 6 pratos, cada um acompanhado por 6 vinhos. Já estão a prever o estrago não é? Bem haja señor UBER! 

Depois de dois croquetes de foi gras com nuvem de algodão doce, veio o mar à mesa com um lavagante com mozarela (e mais umas coisas finórias!). Por aqui ainda estávamos no champanhe e no vinho branco. Seguiu-se a raia com batata doce roxa e caldo de pimentos e continuámos no branco Não foi o nosso prato favorito....nunca tínhamos comido raia mas, talvez pela forma como foi confeccionada, não ficámos fãs. Assemelhava-se muito a uma caldeirada e eu não aprecio essa forma de cozinhar peixe. Neste ponto da noite, já nos ríamos alto, os pacóvios, os ainda apaixonados, a plebe que veio passear na corte!

Chega a carne sob a forma de um cachaço de porco com puré de aipo, muito muito bom! E enchem o copo de tinto, e nós, a não querer estragar as abençoadas uvinhas e o trabalho de tanta gente, lá bebemos, lá teria que ser. Para limpar o palato, deram-nos um sorvete de tangerina salpicado com pequenos suspiros maravilhosamente leves e doces. Por fim, um Moscatel de Setúbal no ponto e uma fatia de red velvet com buttercream e recheado com morangos e mirtilos. 

Neste ponto, já rebolávamos, de barriga cheia e de tanto rir, na nossa festa privada no meio da multidão, duas pessoas que moram juntas e que ainda têm assunto para jantares de 3h. Adoro-nos, acima de tudo, por sermos assim: despretensiosamente felizes. 

E o concerto: o Miguel e os seus músicos sentam-se, pegam nos instrumentos e a magia dá-se, ali mesmo, era só esticar a mão. E o Miguel, que cozinha maravilhosamente, entregou-se à sua outra paixão como sempre faz, com todo o amor ao público e à música. Cantou e encantou, meteu-se connosco, pediu as luzinhas dos telemóveis, pegou na guitarra e andou pelo meio das mesas, foi um entertainer fantástico e, sem dúvida, a melhor forma de acabar o jantar! 

Estou a tentar carregar estes momentos mas, até agora, sem sucesso :( foi tão bonito, foi perfeito! Mas deixo-vos uma música que ele nos cantou ao vivo e que me comoveu muito, tem uma letra lindíssima e em acústico é de encher o coração.

 

Quanto a nós os dois....por mais que eu me queixe que ele é garoto, que me irrita por não ser tão despachado como eu, por usar 19837463542 camisas por semana....amo-o e quero-o do meu lado por tempo indeterminado, sem período de fidelização, apenas ali, como sempre tem estado. 

Foi o melhor dia de S. Valentim de sempre.

p.s- numa mesa próxima, estava um casal. A única altura em que estiveram frente a frente foi durante o jantar e apenas porque tinha que ser. Não se falaram a noite toda, não se riram ou tiveram um momento de intimidade. Terem jantado ali ou numa tasca sebosa teria sabido ao mesmo. Apenas os vi animados durante o concerto mas, de resto, se entre eles existe algo, não será mais do que obrigação, dever e, talvez, uma parceria pelos eventuais filhos. Partiu-me um pouco o coração ver que duas pessoas, na noite "mais romântica do ano" se limitaram a dividir a mesa porque a conta, pagou-a ele. Esta noite não devia ser assim, o amor não é isto. 

20170215_001245.jpg 

Sarah

2 comentários

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    Sarah

    15.02.17

    É acima de tudo o que queremos construir: as nossas memórias!
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