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Experimentalista

Um guia, uma ideia, uma sugestão, ou apenas um sítio onde vir dar um passeio

Experimentalista

Um guia, uma ideia, uma sugestão, ou apenas um sítio onde vir dar um passeio

Qui | 18.08.16

Será tudo isto aleatório?

Sarah

Muitas vezes, vejo-me tomada por filosofias e perguntas para as quais não encontro resposta. A de hoje relaciona-se com a aleatoriedade do sítio em que nascemos: viremos nós mesmo parar aqueles pais, aquela casa, aquele país porque sim, ou antes, porque karmicamente temos coisas a resolver e caminhos que já são nossos ainda antes de nós sermos nós?  Seremos nós, enquanto entidade de espírito e não de corpo, infinitamente sábios do que nos espera e ao que vimos, nisto da encarnação? 

Acredito genuinamente em todo este processo, em karma, leio do retorno. Acredito porque já os senti na pele, para o bem e para o mal. Quanto ao destino já me custa mais a acreditar que seja tão imutável como muitas vezes este nos é apresentado, pois, para mim, o livre arbírtrio tem uma peso tremendo em todas as nossas escolhas, independentemente de existir uma linha traçada, um caminho. 

Eu sou uma privilegiada. Por mais que me queixe, que aponte defeitos a mim e à minha vida, que fale do que não tenho ou nunca tive (e não falo apenas de bens materiais), sei que sou uma grande privilegiada. Tenho casa, tenho água na torneira e interruptores nas paredes. Tenho pai e mãe, irmãos, sobrinhos. Tenho amigos e um homem que me ama. Saio à rua e ainda me sinto segura. Há noite, posso conduzir o meu carro, ainda sem medo. Se estou doente tenho médicos perto com hospitais bem equipados. Se tenho fome, tenho dinheiro para comprar comida. Se tenho frio, tenho roupas quentes. Dou-me até ao luxo de ter férias, para espairecer e arejar as ideias. Tenho saúde e se não estou melhor é porque sou viciada em tudo o que faz mal e engorda. 

Melhor ainda, posso deitar a cabeça na almofada todas as noites e não esperar um bombardeamento. Mas o melhor mesmo é ver a minha pequena, o meu tesouro, um mês de sobrinha e de amor, dormir um sono dos anjos, daquele tipo que só dormimos quando temos um mês de idade. E pensei para mim "caramba. Sou uma cabrona cheia de sorte". 

 

Hoje, as noticias, as redes sociais, o mundo, estão povoados pela foto do menino de 5 anos que não chora. Dizem que está em choque, que ainda não sabe o que lhe aconteceu. Para mim, este menino é o resultado da guerra: quando tudo à nossa volta está desfeito, não são as nossas lágrimas que mudam nada, então, para quê chorar? 

O "único" problema, é que aos 5 anos ainda não devíamos pensar assim.....

 Que mundo andamos nós a deixar para eles?

 

Sarah

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