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Experimentalista

Um guia, uma ideia, uma sugestão, ou apenas um sítio onde vir dar um passeio

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Ter | 15.11.16

Sessão de encerramento do LEFFEST: Tão tão melhor do que a encomenda

Sarah

Queria ir ao LEFFEST mas confesso que não sou uma intelectualóide disposta a pagar uma soma ainda razoável para ver um filme só porque, efectivamente, é um filme e vai passar numa sala de cinema. Contudo, este ano devo dizer que o cartaz do festival esteve muito muito bom e, pelas palavras de Paulo Branco, o público português aderiu como nunca antes. Talvez não sejamos todos uns quadradões que só come o que vem dos blockbusters americanos e isso da-me muita alegria. Trabalho com cinema em Portugal e, por cá, fazer um filme, dá tanto trabalho, esforço e exige tanto de nós como parir. Os nossos filmes não são realizados, são paridos.

Então depois de conferenciar com o Querido (que me disse logo XAXADAS NÃO!) decidimos ir ver o filme da sessão de encerramento: Nocturnal Animals de Tom Ford (um 8 no IMDB).

Para quem o conhece enquanto estilista, ele é aquele homem que capaz de transformar a dona Dolores na Michelle Obama, tal não é a elegância, o corte e o perfeccionismo com que as suas peças são feitas mas, se na moda, os maneirismos e o apurado sentido estético são necessários, no cinema, podemos cair na farsa dos costumes, tornado o filme previsível, mas aqui isso não aconteceu, de todo.

Primeiro, a evolução de Tom enquanto realizador. As transições entre cenas são brilhantes e a estética, a fotografia do filme, deixaram-me de queixo caído. Os personagens não têm um cabelo fora do sítio, excepto, quando têm que ter. A banda sonora também está muito boa e não imagino o filme com outro som que não o de Ludovico Einaudi. Brilhante.

Já a história é duríssima, não é de todo um filme de família. Vejam aqui a sinopse mas basicamente é a história de um ex marido que faz um comeback tremendo, abalando a ex mulher, interpretada pela Amy Adams que, a par com o Jake Gyllenhaal, está brilhante. O Jake então.....caramba, para mim é o "novo" DiCaprio na corrida ao óscar: já são tantos e tão bons os filmes que ele protagonizou, que é uma pena vê-lo ainda sem um Oscar na estante.

Outro actor que me surpreendeu foi o Michael Shannon. Foi o primeiro papel em que o vi com olhos de ver (para lá da cara laroca) e só vos digo isto: lembram-se do McConaughey no Dallas Club? Está muito por aí.

 

Da minha parte.....o filme é perturbador mas hipnótico. Há cenas de violência mas nunca gratuita. A transição constante entre o bruto e o belo é tão bem feita que não conseguimos desligar do ecrã. Há momentos assustadores, que mexem com os medos que todos nós temos. E estamos a falar de um filme premiado em Veneza e Cannes, e não é qualquer filme, especialmente vindo de um homem da moda americana, que consegue isto. Da minha parte apenas um reparo: o Tom ainda tem que aperfeiçoar a riqueza dos diálogos. Alguns saíram muito forçados, tal como o momento "alto" do filme me pareceu um pouco "ahhh então mas como é que eu agora mato este gajo?".

Deixo-vos o trailer e a recomendação de que o vejam. Até o Querido saiu da sala sem palavras. 

 

 Sarah