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Experimentalista

Um guia, uma ideia, uma sugestão, ou apenas um sítio onde vir dar um passeio

Experimentalista

Um guia, uma ideia, uma sugestão, ou apenas um sítio onde vir dar um passeio

Qui | 16.03.17

Só eu que acho isto?

Sarah

Saíram hoje os resultados de um estudo sobre os hábitos alimentares dos portugueses e parece que voltaram a descobrir a roda, tais não foram as reacções e os espantos que vi um pouco por todo o lado.

Mas é preciso mesmo um estudo para vermos que os portugueses estão gordos e cada vez mais gordos? Basta sair à rua minha gente! Quando eu era miúda, há 25 anos atrás, era "raro" ver uma pessoa muito gorda, tanto que eu, semente do mal, me dedicava a ir na rua a passeio e a contar os gordos muito gordos. Agora, as pessoas gordas estão em todo o lado (nada contra atenção!) e, chegando a época balnear é quando se notam mais as disparidade do passado para a actualidade. E de quem é a culpa?

Alguns dizem que é da crise (em certa parte, concordo) pois comer bem, fresco e de uma origem saudável, sai caro. Mas, não fica mais caro comprar medicação para a hipertensão, colesterol alto e diabetes? Ainda que a medicação para a diabetes seja grátis há outras que não são como a medicação para a depressão. Tudo isto fica muito, mas muito mais caro do que comer peixe e legumes do mercado mais perto. Outros, acusam os novos hábitos alimentares como o fundo da questão: que nos tempos idos a proporção alimentação/exercício físico era muito mais equilibrada, nós éramos seres não sedentários e muitas vezes a refeição principal era uma sopa com couves e feijões. Tudo muito certo mas, alguém, alguma vez, se viu obrigado a comer pizza ou um cheeseburger? Alguém teve a mãe a apertar-lhe o nariz para comer bolachas de chocolate e cerelac ás colheres? Isto comigo só acontecia com brócolos. 

Os doces, o açúcar, são vícios e as pessoas ainda não se mentalizaram disto. O açúcar mexe directamente com os nossos centros de prazer no hipotálamos, dá a satisfação instantânea e deixa-nos num sugar rush de felicidade e energia. O mesmo com os corantes e aromas artificiais. Tudo isto é vício e, quem o tem, sabe o quão difícil pode ser de controlar e de mim falo que eu, quando estou a desejar açúcar, não descanso enquanto não desenrasco alguma coisa.

Agora....este espanto todo porque os portugueses estão mais gordos? A mim o que me choca nem são os adultos mas as crianças. Antigamente, o "puto gordo" da escola era um. E por isso, era o puto gordo! Agora, quantas crianças não vemos com barrigas dilatadas, pernas que parecem presuntinhos e sem qualquer tipo de incentivo (interno ou externo) à perda de peso e a um estilo de vida saudável? A geração de 90 é a primeira, A PRIMEIRA, desde que há estatísticas, que não deverá ultrapassar a longevidade dos seus pais, ou seja, a maioria destes miúdos não chegará aos 75 anos se não mudar rapidamente de estilo de vida. Isto é grave e eu não preciso de um estudo que mo diga.

Em miúda comia um bollycao por ano, talvez, e os meus lanches eram pão com qualquer coisa e um sumo ou leite em pacote. Podia ser melhor? Podia mas era certamente muito mais saudável do que a maioria da dieta diária de uma criança:

Pequeno almoço: cereais, de chocolate ou com "mel", porque "ele não gosta de outra coisa"

Lanche da manhã: um bolo de pastelaria ou um snack embalado, porque, "ele não gosta de outra coisa"

Almoço: qualquer coisa que a escola tenha na cantina, talvez douradinhos, com os miúdos sempre a fugirem à sopa e aos verdes

Lanche da tarde: uma barrita de cereais (mesmo as fit estão cheias de açúcar) e uma coca-cola (exemplo retirado de uma reportagem da sic sobre obesidade infantil), porque, "ele não gosta de outra coisa".

Jantar: pizza que a família não teve tempo de fazer jantar e também "porque todos gostamos".

Claro que toda a gente gosta: mais uma vez, os centros de prazer mandar em nós, criam pulsões e nós, mais ou menos, cedemos. Eu por mim vivia a bolos e batatas fritas! Oh alegria, poder encher-me de gorduras saturadas. Talvez não chegasse aos 40 mas, who cares, estou a viver a vida louca dos hidratos baby! E claro que os miúdos não querem pão, fruta e legumes: são "chatos", muito verdes, ou muito amarelos e não dão o kick instantâneo que eles já estão habituados.

Sou só eu que vejo que comemos mal e nos mexemos pouco, sem precisar do auxílio de estudos?

Sarah

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