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Experimentalista

Um guia, uma ideia, uma sugestão, ou apenas um sítio onde vir dar um passeio

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Ter | 27.12.16

Só se estraga uma casa #7

Sarah

Desde que moramos juntos que as matérias para relato em blog são cada vez mais e cada vez mais frutíferas. A que vou contar hoje, passou-se exactamente assim, para vergonha minha. Para muita vergonha mesmo.

Até aqui, apenas existia um instrumento de uso culinário que despertava em mim os mais fundamentados ódios e queimaduras: a cloche, ou patusca. Não havia vez nenhuma que eu mexe-se naquilo e não me queima-se ou não andasse pela cozinha à procura de um local suficientemente seguro para pousar aquela tampa demoníaca. Colocar e tirar de lá os tabuleiros também é uma boa luta já que esse movimento envolvia sempre muitos panos e muitos "ai ai ai que me queimo!". Atentem que eu sou uma adulta capaz, com boa coordenação motora e moderado equilíbrio (eu mando-me para o chão sozinha, é ridículo) e trabalhar com aquela coisa é sempre sinal de dói-dói. Este era o meu ódio de estimação.....até há alguns dias atrás, quando conheci: o grelhador eléctrico. 

Esta coisinha aparentemente inofensiva deu-nos o seguinte serão em família:

 

Vai Sarah para a cozinha grelhar postas de salmão, coisa saudável. Ligo isto, e espero que aqueça, coisa que se deu em 30 segundos, ou até menos. Salmão lindo e bem temperado e pumbas na grelha. Aquilo agarra-se por todo o lado mas eu continuo o meu (aparente) bom trabalho. Salmão quase cozinhado, jantar quase na mesa, quando olho para o dito cujo e vejo chamas, labaredas, todo um show pirotécnico! Fui forte e desliguei o coiso da ficha. Boa, Sarah 1- 0 Grelhador. Até que as chamas não há maneira de desaparecerem, pelo contrário, apenas aumentam, e já a minha cozinha parecia o local de desaparecimento do D. Sebastião, tal não era a fumarada.

E foi aqui......foi aqui que me tornei uma gaja e mando um gritinho "Amoooooor".

Valeu-me o meu cavaleiro de armadura formato pijama e montado em duas pantufas, ainda de comando da PS4 na mão, que veio em meu auxílio e fez a única coisa que eu não me lembrei: tirou as postas de salmão do grelhador.

 

Querido - Como é que isto aconteceu?

Sarah - (engasgada e com as pontas do cabelo meio queimadas) Não sei.

Querido - Mas como aconteceu? O que é que fizeste?

Sarah - (meio asmática, com a cabeça fora da janela) Nada! Eu liguei o coiso e pus lá o salmão!

Querido - E água?

Sarah - Qual água?!

Querido - Sabes que este tabuleiro por baixo não está aqui para enfeitar certo? Isto leva água para não fazer fumo e não chegar fogo à casa das pessoas. Sabias isso certo?

Silêncio.....tosse, muita tosse, e mais silêncio.

Querido - Temos que comprar uma manta, daquelas que os bombeiros e os restaurantes têm. Temos pois.

 

E sabem que mais? E AVISAREM AS ALMAS INCAUTAS DE QUE TÊM QUE PÔR ÁGUA NUM GRELHADOR?!

Ele abraça-me como quem diz "tou f***, esta um dia mata-nos", dá-me um beijo e ri-se, terminando com "mas eu continuo a ter fome! o que vamos jantar?"

Atum. Atum, batatas cozidas e um ovo. 

Sobrevivemos. Eu com o ego magoadíssimo, ferido até ao seu íntimo, uma sensação de ser um adulto incapaz de salvar o seu bebé ou o seu gato (que se tivesse, já tinha fugido certamente). Ele, com um bocado de fome que atum não puxa carroça. A casa, perdeu o cheiro a peixe queimado 4 dias depois. 

Onde me inscrevo para o "Sobrevivi" da National Geographic?

 

 

Sarah

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